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Um anjo sorridente poderá corresponder a um político eficiente?

Que ninguém despreze a pressa de um homem maduro e experiente. Ele é um mentor de vida!

 

Os católicos têm todas as razões para comemorar o Natal e felicitar o novo ano. Mas que razões têm os cidadãos (militantes ou votantes nos partidos) para festejar?


Este Homem, num só ano: 

- Recusou a cruz de ouro;
- Recusou o carro de luxo e passou a andar de Renault 4;
- Pagou a sua conta no hotel;
- Exortou os padres e bispos a saírem dos palácios e a irem para as periferias e para junto do povo;
- Disse que a Igreja sem a cruz é uma piedosa ONG;
- Pediu a bênção dos fiéis;
- Dispensou a sua escolta;

- Na comemoração do seu 77.º aniversário de vida, tomou o café da manhã com 4 sem abrigo e com um cachorro;

- Fez observações ostensivamente humildes sobre a homossexualidade, sobre o aborto e sobre os métodos contraceptivos – “Quem sou eu para julgar?”;

- Referiu que até os ateus poderão chegar ao Céu – “A misericórdia de Deus não tem limites”;

- Referiu que o celibato forçado dos padres católicos é uma tradição e não uma doutrina;

- Deu um novo sentido ao apostolado,...

 

Mas o que é que têm feito os políticos? Afinal de contas só cerca de 10% dos portugueses é que acredita nos partidos (OCDE,2013)

 

Quando a Igreja se encontrava já deprimida e em queda livre, devido a uma enormidade de escândalos, de corrupção e lavagem de dinheiro, de pedofilia, entre outras barbaridades, este Homem, em menos de um ano, atingiu a Igreja com um enorme turbilhão de raios de luz, que fizeram os católicos sorrir de novo, voltar a acreditar e a colocar no seu horizonte uma nova primavera.

 

Foi assim possível reviver o Natal e acreditar positivamente numa nova primavera.

Então, e na política? Não será possível fazer o mesmo?

Quem será esse homem radioso?

 

Como referiu o Papa Francisco, para que as Igrejas se voltem a encher de crentes “esse Homem nunca se deve parecer com alguém que acabou de voltar de um funeral”.

 

Mas afinal em que se baseia a teoria do “trickle down” que o Papa Francisco tanto tenta combater, “por roubar a humanidade da solidariedade” e que os socialistas procuram (inocentemente?) voltar a introduzir?

 

Sustenta esta teoria, que o crescimento da economia está intimamente ligado à riqueza dos mais poderosos que, quanto mais possuem, mais investem e mais produzem, provocando a redução de preços e um aumento do consumo. O problema surge quando deixa de haver poder económico para as massas continuarem a consumir.

 

Num exemplo muito fácil de perceber, lembre-se do que acontece com os eternos novos telemóveis ou novos computadores portáteis, ou até mesmo com os novos carros, sendo que, aquilo que nos parece hoje apenas acessível às classes mais altas, depressa parece baixar de preço e depressa se generaliza a todas as classes sociais, levando as classes baixas a acreditarem que, só por deterem aquele produto, já são iguais aos ricos, mesmo sem estes terem necessidade de consumir esse produto. É tudo uma questão de status social ou de se sentirem importantes, levando as massas a acreditarem que são pessoas importantes, só por passarem a ter aquilo que os ricos também têm. O problema é que estamos eternamente a ser invadidos por novos produtos e esgotamos as nossas economias em produtos que nem necessitamos, economias essas que acabam sempre por se concentrar nos mais poderosos.

 

Nunca nos devemos esquecer que a teoria do “trickle down” parece favorável às classes baixas, mas está associada a uma teoria neo-liberal defendida e popularizada, em grande parte, por Ronald Reagan, teoria esta que levou a América à crise gigantesca do “subprime” e através da qual o Presidente Bush acabou por afundar ainda mais os americanos de baixos recursos, ou seja, mais dinheiro ficou disponível para os capitalistas investirem no crescimento do seu próprio capital, a desigualdade aumentou, as classes menos abastadas esgotarem os seus recursos, deixaram de ter dinheiro para comprar, a oferta não aumentou, o consumo caiu e a economia entrou numa espiral recessiva.

É algo realmente digno da escola austríaca de economia que segue Ludwin von Mises. A expressão "trickle down" invoca a imagem da riqueza caindo dos mais ricos sobre os mais pobres - como se os capitalistas neo-liberais agissem inocentemente! E, assim, como de costume para a referida escola de pensamento, inverte-se a lógica para justificar o acumular de riqueza nas mãos de muito poucos - é este o verdadeiro objectivo da referida escola, que chegou ao cúmulo de criar e disseminar as suas teorias através dos já conhecidos grupos de “think tanks” (propaganda ideológica), que levam a acreditar numa definição de socialismo completamente desonesta, na qual até chegam a introduzir, disfarçadamente, o fascismo. O problema é que há ainda muitos “inocentes” cidadãos e políticos, que, sem se aperceberem, repetem essa estupidez como se fosse uma "pérola" de sabedoria.

 

Mas, como referiu o Papa Francisco, tenhamos muito cuidado, sendo que "a adoração do antigo bezerro de ouro voltou num novo e cruel disfarce de veneração do dinheiro e da ditadura de uma economia impessoal sem um propósito verdadeiramente humano". "A crise mundial que afeta a economia veio colocar a nu os seus desequilíbrios e, acima de tudo, a falta de preocupação real para com os seres humanos".

 

Que ninguém despreze a pressa de um homem maduro e experiente. Ele continuará a ser um mentor de vida!

 

Feliz 2014

 

28/12/2013

José Pereira (Zé de Baião)

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