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Ontem comemorou-se o Dia Internacional de Recordação do Holocausto. Hoje e amanhã comemoram-se os dias em que 85 homens ou gigantes grupos económicos detêm mais de metade da riqueza que consegue ter metade da população mundial mais pobre.

 

Será isto um continuo recordar do holocausto?

Ou será uma forma para impedir os pobres de reclamar o que quer que seja?

Como é que se pode ter capacidade para reivindicar ou para montar barreiras, se não se tem dinheiro, nem alimentos, nem saúde e nem educação?

 

holocausto, fome, miséria, riqueza

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Reflexão ao som e imagem do Prof. Dr. Teixeira dos Santos no debate do Clube dos Pensadores de Gaia, sob a coordenação de Joaquim Jorge. Quem me conhece sabe que estou a ouvir e sempre a anotar e a questionar. Por isso, hoje fiz o mesmo ao som e imagem do ex- ministro das Finanças Prof. Dr. Teixeira dos Santos.

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Deixo aqui as notas soltas e as questões que ia fazendo a mim próprio.

 

Teixeira dos Santos começa o debate por referir que, desde a criação do euro, vários países viveram durante cerca de uma década, já com a moeda única, com dívidas muito elevadas, como por exemplo sucedeu com a Grécia e sem que os mercados agissem.

 

O que eu pergunto é: Sem que ninguém desse por nada, ou sem que alguém pretendesse agir? Estariamos à espera do quê, para agir?

 

Outra questão que eu coloco é se esta crise terá sido originada só pelo caso da Grécia? Claro que tem um enquadramento mundial, senão vejamos o que sucedeu nos EUA.

 

Refere Teixeira dos Santos que, quando a UE e os mercados acordaram para a realidade e para as fragilidades destes Estados soberanos em dificuldade, já estes estavam excessivamente endividados, pelo que, a única solução seria deixar, ou não, falir esses Estados, situação que, a deixar falir, obrigaria à saída do euro e isso os senhores dos mercados não queriam.

 

Na minha opinião, esta era mesmo a intenção dos banqueiros. Pressionar sem deixar cair, sendo que, assim, os Estados comprariam dinheiro a um juro mais caro, isto porque nenhum Estado soberano em dificuldades se arriscaria a sair sozinho da zona euro.

 

Mas porque é que estes Estados soberanos estavam à espera que os outros agissem, se eles próprios é que tinham conhecimento das suas contas, das suas dívidas e das suas fragilidades?

 

Teixeira dos Santos refere que os mercados assentam numa "espécie de trindade quase sagrada", a qual funciona como um pilar constitutivo do euro (impresso no Tratado de Maastricht), trindade esta que visa defender um pacto de "suicídio conjunto" para todos os países da zona euro ( “no bail-out, no exit, no default” ). Mas será que é um pacto a cumprir até à última por todos os Estados? Ou os grandes sairia mal se sentissem afetados? Um dia saberemos!

 

Assim, tornou-e claro que a zona euro não estava preparada para enfrentar crises desta natureza, mas estava bem preparada para efectuar pressão sobre os Estados soberanos mais frágeis.

 

Mas será que a Europa e os Estados soberanos já estão preparados para todas essas fragilidades? Ou estaremos à espera do suicídio coletivo?

 

Eu, um simples rabelo que que não sou economista, mas que vivo atento e preocupado com a grave situação que atravessamos, chego, por vezes, a concordar com aqueles que defendem que a zona do euro precisa é de umas finanças funcionais, sendo que o BCE existe, mas não serve para nada, deixando os Países à deriva e os mercados desregulados e a fazer pressão sobre os Países mais frágeis, situação esta prevista e impressa, desde o início, no Tratado de Maastricht (Art.º 123.º do Tratado - determina que só os bancos podem emprestar dinheiro aos Estados "soberanos" - SOBERANOS?).

 

Andamos nós sucessivamente iludidos e em discussões inconsequentes sobre os PECs, mas nenhum dos partidos os arco do poder acaba a defender vigorosamente a alteração do Tratado, de modo a permitir que o BCE possa emprestar dinheiro, a baixos juros, diretamente aos Estados em dificuldades.

 

Nestes termos, em que hoje vivemos na Europa, por um ou outro disfarce de melhoria que nos vendam, voltaremos eternamente a pagar juros altos e a ficar eternamente mais endividados.

 

Depois vêm todos dizer-nos que é necessário estabilidade política, que os partidos do arco de poder se entendam ou que façam um pacto de salvação nacional,..., MAS PARA SALVAR QUEM E O QUE?

PARA SALVAR A SITUAÇÃO ECONÓMICA DOS PORTUGUESES OU PARA CONTINUAR A ENCHER OS AGIOTAS COM OS LUCROS QUE OBTÊM ATRAVÉS DÍVIDA?

 

Creio que afinal o outro senhor tinha razão, quando dizia que a dívida nunca seria para pagar.

 

Afinal para que queremos nós um Banco Central Europeu? Para encaichar ex-governantes em lugares altamente remunerados?

Se o BCE só serve para encaixar agiotas e para vender dinheiro barato aos bancos, para que estes lucrem ao vende-lo aos Estados soberanos, então mais valia acabar-se de vez com um banco central.

 

Mas será que vivemos num Estado soberano e temos mesmo um Banco Central? Ou teremos uma federação de banqueiros?

 

Acredito cada vez mais que as medidas de austeridade não servirão para resolver absolutamente nada e muito menos para resolver as dívidas dos Estados soberanos. Estão é a servir para os grandes grupos financeiros ganharem dinheiro e continuarmos a ficar cada vez mais endividados e mais pobres.

 

A zona do euro está urgentemente a precisar de uma nova e bem diferente abordagem funcional para o financiamento da política económica, situação que exige que o Banco Central Europeu funcione como emissor e emprestador dos fundos necessários à alavancagem social, laboral e económica.

 

A excessiva recusa e pressão dos mercados e a complacência dos políticos/BCE para com os banqueiros, está a atirar os valores económicos dos Estados soberanos para níveis insustentáveis.

 

Se os mercados, os Estados soberanos e o BCE se entendessem, ou seja, se a Europa e os europeus se entendessem e deixassem de ser neoliberais capitalistas e egoístas, poderiam facilmente comprar a dívida dos Estados em dificuldade, a um juro reduzido, ou até sem juros.

 

Não se trata de não pagar, sendo que considero que todos devemos assumir os compromissos que assumimos. No entanto, para que um Estado e o seu povo consigam cumprir com os seus compromissos e asumir as suas responsabilidades, primeiro é necessário apurar qual a quota da nossa responsabilidade e depois termos as condições dignas para liquidarmos as nossas dívidas.

 

Mas, como já todos se aperceberam, os mercados das grandes praças financeiras e os grandes grupos económicos que mandam no mundo e na política, preferem a lógica do "suicídio conjunto", mas isto só durante o tempo em que podem continuar a pressionar e a lucrar com essa lógica. Quando os mercados estiverem, também eles próprios, com a corda ao pescoço, virão defender a lógica keinesiana do investimento público, com o intuito de voltarem a ganhar, mas só se virarão para o modelom keinesiano depois de sugados e explorados os Estados soberanos e os seus povos, ao máximo possível.

 

Porque é que não se altera o enquadramento legal europeu?

Porque é que esse novo enquadramento não faz parte da agenda política de todos os partidos e da exigencia de todos os cidadãos, já que as dificuldades estão por toda a Europa?

 

Será porque quem manda verdadeiramente não são os políticos, mas sim os grandes grupos económicos?

 

Já não vivemos em Democracia, vivemos sim é num sistema político-empresarial que nada tem a ver com os princípios e valores humanos e democráticos.

 

É a lógica dura e crua do capitalismo neliberal!

 

Infelizmente, a probabilidade de uma solução política rápida, com vista à alteração do tratado da UE é altamente improvável. Portanto, o cenário mais provável e menos doloroso para os Estados soberanos em dificuldades poderá vir a ser a saída forçada do Euro, sendo que, aqueles que sobreviverem sairão a ganhar e de novo a dominar.

 

A Alemanha sabe o que está a provocar!

 

Portugal, a Itália, a Grécia, a Espanha, entre outros países em dificuldades e sobretudo os Países do Leste da Europa, poderão estar a ser encaminhados silenciosamente para um "suicídio conjunto" programado e previamente previsto pelos senhores dos grandes mercados dos Países mais fortes.

 

É óbvio que este caminho nos levará a uma desvalorização tremenda e a uma recessão ainda maior, mas pode estar tudo devidamente previsto. A escola económica neoliberal é mesmo assim!

 

A lição que podemos daqui retirar e para a qual devemos estar muito atentos, é que a soberania financeira e a adequada coordenação das políticas entre as autoridades fiscais e monetárias são os pré-requisitos mais essenciais para a prosperidade económica. Isto sem nunca esquecer a separação entre o poder político e o poder empresarial dos grandes grupos económicos.

 

Há quem defenda que aquilo que realmente importa não é o nível do deficit e muito menos a dívida nacional, mas sim os seus efeitos sobre o emprego, sobre a estabilidade social e sobre o crescimento económico.

 

Por isso, estamos à espera de que?

Dependemos de quem? Do povo ou do capital?

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