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Permitam-me que lhes faça uma simples pergunta para reflexão: A maioria dos socialistas e sociais democratas são filhos, netos e bisnetos de quem? 

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São filhos e netos dos valores de Abril ou de um regime senhorial que ainda hoje se mantém instalado nos bisnetos? É que pelos vistos os bisavós arrastaram as dividas para os bisnetos, mas pelo que se constata, só com consequências sobre a vida dos filhos e netos de Abril. Pensem bem em todos os futuros bisnetos, mas sobretudo nos bisnetos de Abril e de todos os que sempre foram sacrificados para meia dúzia continuar continuarem a viver com as regalias e mordomias do regime senhorial.

 

Haverá filhos, netos e bisnetos socialistas e sociais democratas corajosos para tomar o rumo de Portugal? Lamento que não saibamos sequer assumir responsabilidades para com os nossos filhos e netos.

 

Deixemo-nos de ilusões e de ser os eternos sacrificados. Se no passado fomos sacrificados por um regime senhorial agrícola, hoje somos igualmente sacrificados por um regime senhorial capitalista.

 

Veja-se que o manifesto dos 70 reúne, na sua maioria, netos e bisnetos do regime senhorial e especialistas da alta economia e finança. Serão todos coerentes com o que têm vindo a aplicar e a defender politicamente e nos cargos políticos e/ou governativos porque passaram? Eu duvido que os interesses obscuros  sobre o manifesto não vizem o interesse comum de Portugal e de todos os Portugueses. Porque é que ninguém se arrisca a concretizar e a clarificar?

 

Então e quem representa e defende a parte laboral, social e humana?

 

Veja-se que:

  • No ano em que a maioria dos portugueses passa por enormes dificuldades sociais, alimentares, educativas, de saúde, de habitação  e económicas;
  • No ano em que a maioria dos jovens não tem acesso a um primeiro emprego;
  • No ano em que se cortaram salários e reformas/pensões;
  • No ano em que se aumentaram impostos sobre rendimentos e sobre produtos essenciais; 
  • No ano em que Belmiro de Azevedo vem afirmar que não pode haver aumento de salários porque os portugueses não são devidamente produtivos,...

Somos surpreendidos que o número dos muito ricos e da sua riqueza aumenta de dia para dia, enquanto o número de pobres dispara e aumenta o número de familias abaixo do limiar da pobreza.

 

Neste mesmo ano, enquanto o patrão (bisavô, avô, pai) da SONAE vem argumentar que não pode haver aumentos salariais porque os trabalhadores são pouco produtivos, ou seja, malandros, somos agora surpreendidos com as notícias de que a SONAE, supostamente à custa da exploração da mão-de-obra barata e de outras benesses, acaba de atingir 175 milhões de euros de lucro (resultados diretos), ou seja, mais 31 milhões do que em 2012.

 

Afinal estamos em crise ou a viver miseravelmente para aumentar a riqueza de grandes grupos económico/financeiros?

 

Afinal os trabalhadores portugueses são produtivos ou explorados?

 

Que conclusão podemos retirar daqui?

 

Será que baixaram os preços dos produtos alimentares nos supermercados? Será que pagaram devidamente aos produtores de origem? Será que pagaram devidamente aos trabalhadores? ...

 

É que, enquanto a maioria de um povo passa a caminhar para uma vida de miséria, os grandes grupos económico-financeiros e empresariais que dominam os mercados, aumentam os seus lucros e ficam cada vez mais ricos. 

 

Porque é que os líderes políticos não confrontam estes grandes senhores com a realidade e com a devida responsabilidade social e empresarial?

 

Será que os nossos governantes e lideres político-partidários, bem como os parceiros sociais defendem devidamente o nosso País e todo o povo Português?

 

 

Será que está a haver a devida repartição dos sacrifícios? 


Estará a ser trabalhado o devido equilíbrio entre CAPITAL - TRABALHO - REMUNERAÇÃO - RESPONSABILIDADE SOCIAL E EMPRESARIAL - BEM ETAR COMUM?

 

Estará a ser aplicada a melhor política laboral, comercial, empresarial e redistributiva?

 

Ou estaremos a contribuir para o aumento da riqueza dos grandes grupos económicos e a destruir todo o pequeno e médio comércio, as pequenas e médias empresas e a destruir cada vez mais postos de trabalho?

 

Onde residem os princípios da justiça social e económica que sempre defenderam os socialistas e sociais-democratas?

 

Será que pretendemos voltar a estar dependentes de um regime capitalista senhorial?

 

Quem foram e são os "donos de Portugal"?

 

 

São meia dúzia de senhores que tudo controlam e dominam ou somos nós, o conjunto de todos os portugueses?

 

Tenho muitas dúvidas que, mais lojas SONAE, ou de outros grandes grupos económicos que dominam e controlam os mercados, conjugadas com o aumento dos horários dessas mesmas lojas e a abertura destas as domingo, entre outras políticas de desregulação laboral, comercial, empresarial e financeira, correspondam a um aumento de valor social, ou seja, a um aumento líquido de mais postos de trabalho, a uma melhor redistribuição de riqueza, ao desenvolvimento do tecido comercial e empresarial, a uma melhoria das condições laborais e salariais e à sustentação de uma classe média com condições dignas de vida.

 

Creio que nós, os socialistas e sociais democratas, que se identificam com a Declaração de Princípios e Valores de Abril e com a Constituição da República Portuguesa, temos o dever de debater e refletir devidamente sobre as questões sociais, comerciais, empresariais e laborais, bem como, sobre os instrumentos de regulação laboral, económica, comercial, empresarial e sobretudo de regulação financeira.

 

Creio que podemos conseguir um País mais justo para todos e em equilíbrio social, laboral, económico/financeiro e empresarial.

 

Note-se que o bem-estar social só se consegue por via do devido equilíbrio entre capital-trabalho-remuneração-justiça. 

 

Ou será necessário uma nova Revolução de Valores de Abril?

 

Pelos vistos o bisavô da Senhora Ferreira Leite já se havia recusado a pagar as dividas, segundo veio recentemente recordar o ex-Ministro Vitor Gaspar.

Consta na história (des)governativa de Portugal que José Dias Ferreira, presidente do conselho de ministros na altura da bancarrota, de finais do século XIX (de 1892 a 1893), terá sido quem espoletou o incumprimento soberano do país porque, como referem, “Dias Ferreira rejeitou o convénio com os credores proposto por Joaquim Pedro Oliveira Martins [o ministro da Fazenda ou das Finanças na altura]“. “A resposta de Dias Ferreira foi que não se devia pagar”.

 

O problema é que o nosso País continua a ser dos bisnetos, netos, filhos, irmãos, tios ou padrinhos de toda esta árvore genealógica de senhores e senhoras que se alimentam há décadas à custa dos sacrifícios continuados de todo um povo.

 

Ironia da História e do destino, o ministro da Fazenda Oliveira Martins, que tanto fascina Gaspar, é o tio-bisavô de Guilherme d’Oliveira Martins, actual presidente do Tribunal de Contas. Veja-se que há muito que tudo circula em torno dos mesmos e que afinal os donos de Portugal do pós-25 de Abril continuam a ser netos e bisnetos.

 

É caso para dizer: Ou novo reinado ou nova revolução! 

 

Sempre tudo em família e sempre alguém pronto a lhes prestar vassalagem política.

 

Triste a nossa cina, sendo que, se nunca deixamos de viver num regime senhorial, vêm agora mandar os filhos, netos e bisnetos do mesmo regime ou os senhores do capital a quem os líderes político-partidário são sucessivamente subservientes.

 

E nós, cidadãos e militantes socialistas e sociais democratas em geral, o que é que fazemos?

Continuamos a permitir o mesmo rumo da história?

 

BASTA!!!

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