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Caso das dívidas de Passos Coelho à Segurança S

Hoje vou remar um pouco em defesa de todo o "ser humano imperfeito", sendo que a sabedoria popular nos ensina a seguir o que é dito e não aquilo que é feito. Como refere o povo, "muito bem prega frei Tomás, mas aquilo que ele diz, nunca o faz”.

Dirijo-me a si, pessoalmente e publicamente, de ser humano imperfeito para deputado e governante da perfeição, para lhe demonstrar que a sabedoria popular tem a sua razão e para lhe solicitar que passe a ser um ser humano imperfeito, mas um governante exemplar.

 

Gasto o meu precioso tempo a redigir estas parcas palavras, apenas para os alertar de que podem ter os melhores e mais bem pagos conselheiros, mas estejam cientes de que o homem imperfeito não sente orgulho nem vontade para os aconselhar. Aprendam de uma vez por todas que qualquer pessoa que aconselha pode muito facilmente dar o melhor conselho, mas deveria ser o primeiro a dar o melhor exemplo.

 

Vou esforçar-me por lhes demonstrar que o povo tem (ou não) sempre razão, sendo que sempre nos ensinou a caminhar num sentido, apesar do político e governante, que se diz "nosso representante", passar a vida a sugerir-nos que sigamos os seus péssimos exemplos e as suas más práticas.

 

Acreditem que já nem sei se é o ser humano que é imperfeito ou se é o político e governante que é a perfeição em pessoa e o grande exemplo a seguir. Será que vale a pena seguirmos o exemplo dos nossos dignissimos políticos, representantes e governantes? 

 

Pelo que nos vamos apercebendo, pode parecer que a grande fuga e o grande crime compensa, mas acreditem que a sabedoria popular acaba sempre por estar do lado da razão. Por isso, mais vale continuar a ser um ser humano imperfeito e não passar a vida a arriscar e muito menos a prevaricar.

 

Como eu gostaria de poder estar hoje aqui a reescrever a sabedoria popular e a sugerir-lhes para  ouvirem o que lhes é dito e fazerem o que os políticos e governantes fazem mas, infelizmente, se o homem é imperfeito, o político e governante teima em não querer aprender nem mudar.

 

O povo, na sua sabedoria e na sua qualidade de homem imperfeito, pelo menos tem a sensatez de nos ensinar para ouvirmos o que é dito, para aprendermos, para nos corrigirmos e para não fazermos o que alguns fazem. Contudo, os políticos e governantes de hoje estão sucessivamente a ensinar-nos para não ouvirmos o que eles nos dizem e para fazermos aquilo que eles fazem.

 

Mas continuemos a dar ouvidos à sabedoria popular, sendo que esta nos ensina que tudo na vida tem um preço, que não há almoços grátis e que aquilo que foi conquistado parece hoje inútil e sem qualquer valor. Mas inútil é continuarmos a dormir sem nos tratarmos e permanecermos simplesmente à espera que a dor ou doença possa vir a passar.

 

É certo que nos ensinam que dormir é meio sustento, mas também nos ensinaram que nunca foi saudável estar sempre a dormir. Lembre-se que quem muito dorme pouco aprende e que, contrariamente ao dito popular, está provado que quem muito espera nunca alcança.

 

Como continua a cantar Zeca Afonso, venham mais cinco. E como refere a canção e a interpretação de Chico Buarque, brinque com o fogo e deixe de ter medo de se queimar. Faça como eu digo. Faça como eu faço. Pense, mas não tenha medo de agir duas vezes antes de pensar.

 

 

Sejamos imperfeitos.

Não tenhamos medo. Se há algo que nunca conseguiremos pagar é a morte.

 

 

Todos nós sabemos de onde viemos, pelo que, mesmo sem sabermos para onde queremos ir, deveriamos, no mínimo, saber para onde não queremos ir. Está na hora de percebermos que devagar não se vai longe. Está na hora de se prestar muita atenção ao que se passa e se diz, mas também de se ter muito cuidado com o que se faz. 

 

Não tem grande problema que sejamos seres humanos imperfeitos, sendo que isso tem algo de salutar, mas trabalhemos e lutemos para formar cidadãos, políticos e governantes mais capazes e exemplares.

 

Eu sei que vozes de burro não chegam ao céu, mas também sei que os burros (Equus asinus) são dos animais mais inteligentes. É certo que estes animais mostram, por vezes, alguma resistência em executar algumas das tarefas que lhes são exigidas, mas isto não quer dizer que sejam menos inteligentes. Esta atitude está mais relacionada com a natureza do animal, um pouco mais teimoso ou independente do que os seus primos cavalos. O burro é um animal muito mais ponderado e calmo nas suas atitudes e reacções do que o cavalo. Além disso, desenvolveram uma boa relação com os seres humanos, conseguindo entender o seu estado de espírito, através da sua expressão facial.

 

Dita ainda a sabedoria popular que devemos pensar duas vezes antes de falar ou de agir, mas o certo é que também devemos estar cientes de que  há quem muito pense ou muito fale e pouco ou nada diga ou acerte. Mas aquilo que mais me desassossega é que há muito quem fale e pouco quem viva, sendo por isso que acredito que se eles começarem a contender muito connosco, talvez lhes doa, mas se nem a dor os fizer mudar, talvez tenhamos de acordar e lhes fazer doer.

 

Como vou referindo, sinto que sou mais um dos que acreditam que urge um determinado grau de rebeldia responsável, mas por uma boa causa, sendo que a rebeldia sem causa só gera maior instabilidade social e humana. Continuo a acreditar que "a ordem nasce ao mesmo tempo que a desordem" (Edgar Morin, "a natureza da natureza"), pelo que também acredito que um determinado grau de rebeldia responsável e por uma causa justa, é um dos mais valiosos instrumentos do trabalho humano, social, cultural, político ou económico. É neste sentido que acredito que devemos lutar contra o monopólio da palavra, do conhecimento, da cultura, da política e da riqueza

 

Acredito que devemos continuar a lutar contra a exacerbação do individualismo que tem acarretado a queda da responsabilidade e da solidariedade social, económica e empresarial. Contra a ausência de sentido (crítico) humano, cívico e político. 

 

Aceito que todos nós sejamos seres humanos imperfeitos, mas se é exigido que cada um de nós seja motivo de esperança e de vida cumpridora, os nossos representantes e governantes têm a obrigação de serem os primeiros a corrigir-se e a serem exemplares e responsáveis, não só pelo que dizem, mas sobretudo pelo que (nos) fazem.

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