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"Por quem me julgam e por quem se julgam?" Refere Jean-Claude Juncker (julho de 2014). "You don't have to be a techie to believe in technology", mas queres ter um pedreiro e uma empregada doméstica tuga ao desbarato para te tratar do trabalho sujo e árduo que não fazes, não queres fazer, nem nunca soubeste fazer. Ou até um enfermeiro tuga para te limpar o rabo. 
juncker a falar ao telemóvel com a mulher
Somos portugueses Sr. Juncker! Oficialmente ainda uma República Democrática e um Estado-Membro da União Europeia desde 12 de junho de 1985 (CEE). Somos ainda um país soberano unitário localizado no Sudoeste da Europa com 10, 5 milhões de habitantes e já cerca de 3 milhões a viver abaixo do limiar de pobreza, que em Portugal se considera quando se tem rendimentos abaixo dos 409€, situação com que nunca se deparou na sua vida e que não conhece certamente no Luxemburgo nem na Bélgica e muito menos na Alemanha.
Acabamos de assistir a um dos piores exemplos característicos da já instalada hegemonia neoliberal capitalista e agora autocrática.  Qual Europa dos cidadãos, qual que! Estamos hoje numa Europa dominada pela prepotência neoliberal capitalista e dirigida por algo parecido com o absolutismo burguês. Todos os portugueses deveriam sentir-se indignados face ao desrespeito a que assistimos, não só perante todos os representantes nas organizações democráticas europeias, mas sobretudo perante Portugal e perante todos os portugueses.
Veja aqui o vídeo: http://sicnoticias.sapo.pt/mundo/2014-07-10-eurodeputado-joao-ferreira-pede-a-juncker-que-desligue-telemovel;jsessionid=C3745D3CDB7466C07136A0E601529402
Jean-Claude Juncker afirmou esta semana que não precisa que lhe expliquem a realidade de Portugal. Pois se não precisa, o que é que andou a fazer em Portugal aquando das eleições e quando precisava dos votos? Se não precisa, então que estão os eurodeputados a fazer no Parlamento Europeu?

 

Juncker, insurgindo-se contra muitas das críticas que lhe foram dirigidas, e refutando designadamente o "rótulo" de neo-liberal e capitalista, mostrou-se irritado em alguns períodos do debate, incluindo durante a intervenção do eurodeputado português João Ferreira, quando este fez uma pausa para que o candidato do Partido Popular Europeu (PPE - PSD/CDS) e à sucessão de Durão Barroso "desligasse" o telemóvel, que manuseava enquanto os deputados intervinham.

 

 

Depois de ter sido criticado sobre o papel da trika, desempenhado em Portugal, ("que o senhor Juncker apoiou") e depois de ter sido apelado a que prestasse atenção para a realidade do nosso país, referindo-se ao estado da economia e à escalada da dívida, o eurodeputado João Ferreira teve de fazer uma pausa ao ver que o Sr. Juncker se encontrava  sem os auscultadores e a manusear o seu telemóvel enquanto os deputados intervinham, parecendo as crianças do secundario quando estamos a falar para elas e elas nem nos ouvem por tão entretidas que estão com os jogos do telemóvel ou com as mensagens dos namorados.

 

 

"Vou fazer uma pausa para que possa desligar o telemóvel", disse o deputado, retorquindo Juncker que respondia a uma mensagem da sua mulher.

 

 

Retorquiu Juncker: "Por quem me julgam e por quem se julgam?  Eu sei fazer duas coisas em simultâneo: escutá-lo e escrever ‘tudo está bem’", disse o político luxemburguês.

 

"Cresci na parte industrial do Luxemburgo e os meus vizinhos são portugueses. Sei muitas coisas de Portugal, por isso pode ser mais breve, porque eu conheço" a realidade do país, disse Juncker, visivelmente agastado.

 

 

"Interessei-me de muito perto e numa base diária pela situação na Grécia e em Portugal. Tenho muitos amigos nesses países, e, durante o período em que fui presidente do Eurogrupo, telefonei várias vezes por dia a testemunhas de rua para sentir a 'temperatura' desses países, e sei bem as derrapagens que houve, os erros de percurso acumulados (...) Não fui eu que obriguei na Grécia e em Portugal a baixar o salário mínimo nacional, bem pelo contrário. No Eurogrupo lutei contra essa redução, e fiquei muito surpreso por ver que outros países ditos pobres e que o são foram aqueles que exigiram que tal política fosse aplicada", disse.

 

 

Juncker reforçou que, "portanto, o debate na Europa foi um pouco mais complicado do que se insinua em acusações sem fundamento e sem qualquer reflexão, que traduzem mesmo alguma ignorância do assunto", pelo que, pediu "respeito".

 

 

"Por quem me julgam e por quem se julgam? Acham que sou um filho de um milionário, que nunca trabalhou, que nasci num berço de ouro? Não é o caso", disse Juncker, manifestando-se agastado por ser classificado como um "capitalista mau".

 

 

Questionado, tanto por João Ferreira como pela eurodeputada Marisa Matias, sobre a possibilidade de renegociação da dívida pública portuguesa, Juncker não abordou a questão, tendo-se queixado por mais de uma vez do pouco tempo disponível para responder às muitas perguntas que cada eurodeputado lhe dirigia.

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