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O poder de decisão está fora dos partidos e longe dos cidadãos

por José Pereira (zedebaiao.com), em 20.01.14

O problema continua a ser do foro neoliberal, sendo que a representatividade da democracia passou a sustentar-se num sistema politico-empresarial liberalizador e facilitador, cujos centros de decisão há muito saíram do seio dos partidos e do foro dos cidadãos/militantes.

Urge voltar a trazer o poder de decisão para o interior dos partidos e para os movimentos de cidadania.

Caso contrário, nada mudará e tudo continuará igual.

Ou se muda pacificamente, ou em breve todos serão atirados para o meio da rua.

Não continuem a brincar com o fogo!

 

democracia; neoliberalismo; Assembleia da República; Interesses económicos; Sistema Político

 

“A CASA DOS FACILITADORES” (Por Telmo Vaz Pereira)

Os maiores grupos económicos portugueses dominam o Parlamento através das dezenas de parlamentares a quem garantem salários e consultadorias. Estes deputados colocam-se na posição ambígua que decorre duma dupla representação: do povo que os elegeu e das empresas que lhes pagam.

Assim, quando o deputado Miguel Frasquilho aparece a defender em público o Orçamento de 2014 em nome do PSD, fá-lo porque acredita que o Orçamento é bom para o País, ou porque este favorece a Banca, em particular o Grupo Espirito Santo ao qual deve obediência, enquanto funcionário?

A promiscuidade é, infelizmente, a regra. O presidente da comissão de Segurança Social, José Manuel Canavarro, é consultor do Montepio Geral, banco que actua na área da solidariedade.

Na saúde, sector tão sensível, o deputado Ricardo Baptista Leite, é consultor da Glintt Healthcare, empresa fornecedora de equipamentos hospitalares.

Na área da defesa, há interesses privados representados pelo actual presidente da Comissão de Defesa, Matos Correia, advogado no mesmo escritório que o seu antecessor na função, José Luis Arnaut, cujo principal sócio é o ex-ministro também da Defesa, Rui Pena.

Na comissão de agricultura, Manuel Isaac tutela em nome do Parlamento, um ministério que, por sua vez, influencia a atribuição de subsídios a empresas agrícolas em que detém participações.

Também Isabel dos Santos, filha do presidente de Angola e accionista da Zon, está representada no Parlamento, através do deputado Paulo Mota Pinto, administrador daquela empresa de comunicações.

Os deputados acima mencionados são todos do PSD, com a excepção do Ministério da Agricultura, que obviamente é do tal Partido Unipessoal (PP/CDS).

Mas, mesmo assim, no debate sobre regime de incompatibilidades que não há muito tempo teve lugar no Parlamento, os deputados que transformaram a Assembleia, a casa da democracia, num escritório de negócios e favores, nem se dignaram a aparecer para se justificarem... Mas que lá continuam a ser deputedos, continuam”.

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